quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

VÁLVULAS NO MARCAS PAULISTA 2014 - PESCOÇO É CABEÇA OU HASTE?

Diz o regulamento do Marcas Paulista 2014:

Na primeira etapa 2014 a Fasp vistoriou as válvulas dos motores dos carros selecionados para vistoria. As válvulas do motor do preparador Bujão, que equiparam o motor do carro 50, do piloto Douglas Carvalho/Equipe Alpie, foram reprovadas num primeiro instante pelo vistoriador Aranda, no autódromo, afirmando ele que as válvulas haviam sofrido redução de diâmetro nas hastes. O preparador Bujão contestou afirmando que onde houve trabalho de redução de diâmetro não poderia ser considerado haste. A questão acabou sendo levada `a Fasp para uma avaliação e decisão posterior.

Obs.: Bujão é o preparador que forneceu o motor do carro campeão 2013 da Super, a principal divisão da categoria. Venceram a, até então, imbatível equipe Arias. Um feito histórico para a categoria, para os pilotos vencedores, para equipe vencedora e para o preparador Bujão.

Terça-feira eu conversei com alguns preparadores e com um que, além de preparador, é engenheiro especializado em preparação de motores de competição. Todos, exceto um que usa o motor do preparador Bujão, e o próprio Bujão, claro, afirmaram que as válvulas se dividem em cabeça e haste. E o que não for cabeça será haste. E que a cabeça acaba no pé do cálice, na junção com a haste.

A esta altura já corria a notícia de que a Fasp havia acatado a argumentação do Bujão, baseada inicialmente em uma concordância de interpretação com o antigo comissário técnico Juan Ibañez. 

Achei muito estranha a posição da Fasp com tanta posição contrária, de gente conhecedora e conceituada afirmando que a interpretação do Bujão estava equivocada.

Confesso que pensei em proteção, parcialidade por parte da Fasp, especialmente por se tratar da equipe Alpie. Este preconceito que carrego, por eventos passados que não gastarei em conta-los agora, pesaram em minha avaliação até em um determinado momento.

Veio a reunião de terça `a noite e a Fasp divulgou a conclusão de sua avaliação. Para a Fasp o preparador Bujão estava certo, a parte trabalhada não podia ser considerada haste não, que o local de diminuição do diâmetro era o pescoço da válvula, não a haste. E que o pescoço não faz parte da haste.

Ontem eu voltei a conversar e pesquisar para tentar entender melhor esta história de pescoço. Conversei com um cara do meio, que tem peso na categoria, que discorda de considerar o pescoço como parte fora da haste. Segundo me informou, tudo que é cilíndrico é haste, conforme o glossário mecânico. Pedi indicações e documentos a quem pude. O Bujão disse que tinha um laudo com sua teoria mas que não me passaria. 
Cheguei facilmente ao site da TRW, fabricante de válvulas. Ela mostra o tal pescoço com detalhes:
Imagem do site da TRW
Imagem do site da TRW
Pescoço é a parte que não vai na guia. 

Tá, cheguei no tal pescoço. E daí? Eu não consegui definir pelo desenho, ou pelo texto do site, que pescoço não é haste, ou que o pescoço não passa de uma parte da haste.

Liguei para o Marcus Ramaciotti, presidente do CTDP da Fasp. Ele me afirmou que depois de algumas análises e consultas em fabricantes a conclusão que chegaram foi que o Bujão estava certo. O pescoço não é haste. Perguntei-lhe sobre algum laudo, documentação. Ele disse que não havia laudo ou documento. Disse que na reunião a Fasp apresentou aos presentes uma válvula naval, de aproximadamente 50 centímetros, onde a visualização daquilo que é o entendimento da Fasp ficava mais claro. Disse-me que o Ernesto esteve bem envolvido no esclarecimento da questão também. Liguei para o Ernesto. Segundo o Ernesto, ele conseguiu um parecer, não documental, de um engenheiro naval, e que a válvula que usaram como exemplo deixa bem claro que a composição do material que é feita a haste é bem diferente do material de que é feito o pescoço. Que o pescoço da válvula pertence `a cabeça pela origem do material. A cabeça vai até o pescoço, inclusive, depois é que se inicia a haste.

Pois bem. Entendi a argumentação da Fasp. Ela passou a ter um certo sentido para mim. Confesso que fiquei frustrado pela falta de um laudo. Um bichão com nome e conceito no meio técnico/científico pra colocar o seu chamegão em uma declaração, um laudo... até um pedaço de papel de pão que fosse, já iria me satisfazer bem mais. De qualquer forma, a teoria do Bujão e da Fasp não ficou tão absurda quanto eu achava inicialmente. 

Eu, que no começo desta polêmica não apostaria nem um centavo na tese do Bujão, e da Fasp, agora já estou acreditando que a razão pode estar com eles. Que a maioria, assim como eu, comeu mosca mesmo. Pode ser... pois não fiquei plenamente convencido. Minha leiguice me faz querer mais convencimento. Coisas do desconhecimento mesmo.

Tentarei dar mais algumas pesquisadas para ver se concluo melhor esta questão para mim. Curiosidade de iniciante. Se alguém quiser mandar alguma informação que esclareça melhor, fique a vontade pelo claudioroscoe@gmail.com, ou faça um comentário.

De qualquer forma, estando o Bujão com a razão, como oficialmente está, o que teremos é uma ultrapassagem por fora no S, uma outra por fora na curva Chico Landi, mais uma por fora no Laranjinha e um dupla ultrapassagem por fora no mergulho. De quem? Do preparador Bujão. E todas na mesma volta. 
O cara viu uma brecha no regulamento onde quase ninguém, ou ninguém, viu. Isto faz parte da competência do bom preparador. Mérito dele. Parabéns para ele. 

Torço para que nenhuma outra informação derrube a posição da Fasp e a do Bujão. Torço mesmo. Gosto de grandes jogadas, e esta terá sido uma de craque. 

A se confirmar o que está valendo oficialmente, o Bujão merecerá um destaque a mais neste ano:

A taça de melhor interpretador de regulamento do paulista de marcas.

20 comentários:

  1. So sei que certamente os custos vão aumentar, não é trabalho simples. Também aumenta o risco de quebra.
    Quem paga a conta são os pilotos, mais uma vez estamos indo no caminho contrário. O grid só esta diminuindo.

    Guilherme #66

    PS: este é o conceito TRW, um fabricante, seria importante um parecer técnico de uma escola de engenharia.

    ResponderExcluir
  2. A Fast protege a ALPIE ? Explique-se. Nenhum carro da ALPIE correu com o motor do Bujão na primeira etapa.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. A tal válvula com PESCOÇO era do carro #50. Como foi o Bujao o pai da criança. Podemos concluir que tinha carro da Alpie com motor drle sim

      Excluir
    2. A Fast protege a Alpie?
      Ta ai Fabiano (fast racing), me protege também.
      Guilherme #66

      Excluir
  3. Cezar Martins30 janeiro, 2014

    Essa história é boa demais! O Gigante inventou o cobertor para deixar os pneus do Gil de Ferran aquecidos antes da classificação, coisa que hoje é obrigatória nos fórmulas. O Piquet era mestre em dar essas interpretadas em regulamento para melhorar o carro.

    A história é deliciosa, pena que descobriram o pulo do gato do cara... Mas ele não é o único a ter seus segredos no Marcas... vi coisas que deixariam o pessoal de queixo caído!

    Parabéns, Roscoe, por correr atrás de informação.

    ResponderExcluir
  4. Vamos la, quem estudou Engenharia Mecânica ou Desenho Técnico, sabe que este desenho da TRW e um foto para catalogo explicativa e fora das dimensões da peça a ser fabricada, o desenho para fabricação e com todas as dimensões e normas da montadora e da ABNT.
    Portanto não existe pescoço nas válvulas originais dos motores 1.6 L GM ,FORD e VW. E só ir na concessionarias das marcas e pedir no balcão de peças uma válvula do motor usado na categoria e comparar as duas válvulas você vai ver as dimensões das duas.
    As válvulas naval são completamente diferentes dos motores veicular em função de vários fatores como temperatura, rpm etc.
    Na verdade e o que vejo nesta História e uma proteção para uma equipe.

    ResponderExcluir
  5. Prezados Companheiros de pista,
    como engenheiro estrutural tambem andei pesquisando e acho que existe uma brecha no regulamento,o que passou, passou,temos que olhar para frente e pensar na prosperidade da categoria,estas valvulas trabalhadas na regiao do pescoço nao sera um motivo de acrescimo de custo e de quebras de motores? Acho que se a resposta for sim,a federaçao juntamente com a associaçao deveriam proibir este trabalho(dava os parabens ao bujao,mas infelizmente nao podera mais),caso a resposta for nao,libera o trabalho a todos preparadores e coloca no regulamento este item da liberaçao.
    Abraços a todos
    Luis Guilherme #66

    ResponderExcluir
  6. Tem algo estranho e feio nesta história...

    Sem querer repetir o que já foi mencionado em outros comentários, pergunto se todas as válvulas de motores automotivos fabricados no Brasil possuem "pescoço"? Se a resposta é NÃO, pergunto se nas válvulas desprovidas de "pescoço" seria então permitida a remoção de material das hastes, na parte que não entra em contato com a guia.

    Me parece equivocado tratar o "pescoço" como parte independente da haste. Historicamente a "criação" do pescoço é algo relacionado a válvulas de escape, em que se busca a maior resistência possível com o menor aumento de peso. Retirada de material de uma válvula provoca redução de peso, o que favorece o ganho de RPM do motor para uma dada pressão de molas.

    A despeito de toda criatividade, e perspicácia, envolvidas nesta história, me parece que estamos vendo pessoas "marretando" o assunto para justificar uma decisão injustificável. O regulamento foi claramente mal redigido, face à realidade das válvulas existentes, e os responsáveis por decidir a questão estão fazendo um remendo pior que o soneto.

    Em se tratando de regulamentos, o uso do cachimbo não pode fazer a boca torta.

    ResponderExcluir
  7. unica coisa que posso afirmar é que a 20 anos no marcas isso sempre foi haste e não pescoço, a partir de agora é pescoço, coisas do automobilismo!
    phoenix competições

    ResponderExcluir
  8. Este comentário foi removido pelo autor.

    ResponderExcluir
  9. Agora e a ladaia que a alpie e protegida. Kkkkk. Perderam e já era.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Será que perderam?
      Todos os outros motores vão ter um ganho na próxima etapa.
      Já o Alpie, perdeu. Vão ter que tirar outro coelho da cartola.
      Primeiro foi a tomada de ar frontal, agora a valvula, eta cartolinha magica!

      Excluir
    2. Não te preocupa, procura dar alfafa para seus cavalos , pq ainda vai ficar devendo, relaxa que nem começou o ano ainda, com certeza terás novidade.... pague pra ver.....

      Excluir
    3. Putz......vai sair mais coelho da cartola!
      O circo ta armado. E tem palhaço(PILOTO) neste circo.

      Excluir
    4. Palhaço piloto tinha antes. Pois para andar na frente ou andava com certa equipe, ou ia lá fazer grid.

      Excluir
    5. ENQUANTO A ARIAS DOMINAVA, COMO EM 2011, ONDE O REGULAMENTO TINHA BRECHAS (O CLAUDIO SABE BEM DISSO, POIS USOU ISSO PARA GANHAR O CAMPEONATO COM MERITO) NINGUÉM FALAVA NADA. TODOS SABIAM DO ENVOLVIMENTO DO EX-INSPETOR COM O TIME ARIAS, MAS NINGUÉM FALAVA NADA. TODOS TEM DIREITO A UM LUGAR AO SOL E VENCER DENTRO DAS REGRAS. É FACIL A PHENIX VIR CRITICAR O TRABALHO DO CARLAO, DA FAST, DA ALPIE.

      Excluir
  10. 3 - MODIFICAÇÕES PERMITIDAS OU OBRIGATÓRIAS
    Todas as modificações que não são expressamente permitidas pelo presente
    regulamento são proibidas.
    Os únicos serviços que podem ser realizados no veículo, além dos
    permitidos por este regulamento, são os de manutenção ou de substituição
    de componentes danificados, desde que idênticos aos originais.
    Os limites das modificações e reparações permitidas serão especificadas nos
    respectivos artigos.

    ResponderExcluir
  11. concordo com o luizinho, isso e haste em qualquer lugar do planeta , na proxima topo de pistao vai virar cabeca do pistao, mancal de virabrequim punho e ai vamos trocando os nomes tecnicos por partes do corpo humano, qualquer um com um minimo de experiencia em automobilismo sabe que isso e haste, nao tem nada de glorioso nessa desculpa e vergonhoso, ridiculo, essa estoria de valvula nautica...... e poesia, palhacada.

    ResponderExcluir
  12. To vendo que tem muito engenheiro aqui comentando, mas com que competência técnica? Se no próprio catalogo da TRW uma das maiores fabricantes de válvula ha uma diferença de nomenclatura com que base voces entendidos tem para reclamar? Agora os advogados sabem que em caso de duvida não ha punição, enquanto houver falhas na redação do regulamento, nada ha para fazer......

    ResponderExcluir