Na semana passada ele me solicitou um apontamento de críticas. Não o respondi pensando em publicação aqui não, mas, mesmo assim a farei por conter alguns pontos que seriam tratados por mim mais adiante.
Segue abaixo as minhas respostas, somente a minha parte na conversa.
Douglas,
Minhas críticas não vão às pessoas e sim às instituições. Claro que indiretamente quem as gere são responsáveis pelos seus sucessos ou insucessos. Sobre o problema do grid, claro que também existem fatores externos que podem contribuir para sua redução, fatores que independem da qualidade da gestão, como uma crise na economia por exemplo.
Não acredito que o encolhimento do grid, hoje, se atribua a uma crise na economia ou aos olhares do mercado sobre o futebol por causa da copa. Estes fatores externos podem ter influência hoje sim, mas não como o principal motivo. Não vejo a mesma tendência de encolhimento do grid do Marcas em outras categorias do paulista, ou de outros regionais. A recém criada Fórmula 1600 contou com 30 carros nesta etapa. A Fórmula Vee teve 14 carros. Juntas já seriam 44 carros. Sem entrar em méritos éticos da questão, a queda da vee e o crescimento da 1600 são consequências das gestões. E a continuar assim o Marcas pode perder o trono de maior categoria dentro do próprio campeonato paulista.
Acredito que a causa principal do encolhimento do grid seja a qualidade de gestão da categoria. Clubes, Fasp e Associação de pilotos. Cada qual com algum peso a mais ou a menos em um ou outro ponto. Sei que a Associação tem inúmeras limitações e que seus membros se empenham bastante, mas será que o empenho está bem focado? Será que a associação não está virando uma sucursal da Fasp ao deixar de defender os interesses dos pilotos com mais vigor? O bom relacionamento e respeito entre as entidades é necessário, mas os interesses são distintos e na hora de brigar é preciso brigar.
Por qual bandeira a associação deve brigar? Por medidas que tornem a categoria novamente atrativa aos pilotos novatos e por medidas que tornem a categoria novamente atrativa aos pilotos não novatos.
Sei que muitas coisa foram conquistadas mas nada que mude a imagem do declínio. A imagem do declínio vem sendo construída através de diversas atitudes gerencias equivocadas. Veja bem como você lutou nesta etapa pelas voltas antes da largada por causa do óleo do rachão. Veja o prejuízo que esse rachão já trouxe ao marcas. E não é de hoje não, vem de muitos anos. Eu já consultei um preparador aqui sobre a questão. Porque este problema de óleo na pista não acontece nas arrancadas e acontece tanto no rachão? Porque tem regulamento em arrancada que exige uma espécie de bacia, contentor, não sei o nome exato, para que grande parte do óleo não caia na pista. No rachão isto não é cobrado. É ítem barato que a ganância dos bilheteiros da Fasp mandam a conta para as categorias federadas em favor de motoristas não federados. As informações que colhi foram de apenas um preparador. Não me aprofundei nisto, o que deveria ser, mas este é apenas um exemplo de gestão e cobrança que, caso seja isto mesmo que me foi informado, uma simples e barata cobrança dos racheiros resolveria muitos prejuízos e riscos `a categoria.
Um ponto importantíssimo é a imagem gerada pelo regulamento. Hoje nossa categoria é vista como de regulamento instável. Mexe-se a todo momento. E se isto já não bastasse, a interpretação que a Fasp fez no caso do pescoço de válvulas foi um verdadeiro desastre para a imagem da categoria. Além da imagem de interpretação duvidosa, no meu entendimento e de muitos, o custo direto aos participantes causado pela interpretação foi bastante grande. Pergunte ao Wilton Pena o quanto ele gastou para preparar os pescoços das válvulas dos carros dele. Foi caro e pelo que ele me disse vai ter que gastar mais.
A Associação poderia ter alertado a Fasp sobre o custo que isto causaria. Ficaria mais barato `a Fasp colher um laudo junto ao instituto Mauá ao custo de uma inscrição. Fosse o resultado que fosse ela se isentaria de responsabilidade sobre uma interpretação informal.
Um regulamento oneroso:
Acredito que os custos para ser competitivo na categoria estão cada vez maiores. A maioria não quer andar por andar, gastar para passear lá trás, pelo menos os pilotos que não são novatos. Se não fosse por esta razão, acredito que o grid estaria com muitos gols.
Ano passado tivemos um regulamento que autorizava relações de câmbio liberadas dentro da marca. Algumas equipes, indiretamente os pilotos, gastaram uma baba tentando achar uma relação mais competitiva. Eu mesmo, na Fast, experimentei, e joguei uma corrida fora, gastando com uma relação diferente, achando que aquele caminho poderia ser uma solução para alcançar meus concorrentes. Sei que outros fizeram o mesmo. Se o regulamento não fosse aberto no câmbio em 2013 muito dinheiro, tempo e experiências teriam sido economizados.
O caso do câmbio acima é apenas um exemplo de má gestão. O regulamento técnico é a base do sucesso da categoria. Ele é como se fosse a constituição no mundo jurídico.
Vários problemas estão surgindo por causa do regulamento técnico.
- A data de sua definição e publicação: é um problema de gestão que desestimula os investidores (preparadores). Se fosse publicada com antecedência, sem grandes alterações, geraria mais confiança.
- O excesso de adendos: alterações dos regulamentos com o campeonato em andamento é um duro golpe aos investidores, um duro golpe na imagem e tem sido um duro golpe para a renovação e variedade da frota. Veja o caso do corpo de borboleta dos Fords. Até alteração de regulamento sem fazer adendo aconteceu, segundo me informaram. Depois a Fasp voltou atrás e manteve o corpo como estava.
Imagine o tanto de relações de câmbio descartadas, válvulas, corpos de borboleta e tantas outras peças encostadas. Quem paga por isto? Os pilotos. A Fasp, os clubes e os preparadores precisam ouvir o recado que os pilotos estão dando com o tamanho deste grid: NÃO PODEMOS PAGAR TANTO!
Pelo telefone, em nosso último contato, você me disse que automobilismo era caro mesmo, que não é para qualquer um. Concordo que seja caro e que não é esporte para qualquer um. Só que uma boa parte da razão do Marcas estar caro não é por causa do esporte ser naturalmente caro, é por causa da burrice, da incompetência, do desperdício na gestão.
A verdade é que os preparadores não conseguem se entender; a redação do regulamento é um fiasco; o comissário técnico da Fasp não tem o respeito nem da própria Fasp, que acabou desmoralizando-o no último evento do pescoço de válvula; a vistoria técnica é constantemente questionada quanto `a sua qualidade e o antigo vistoriador, o Juan, que havia sido prometido como moralizador não fez grandes coisas. Você lembra que a Fasp havia prometido uma máquina de medir comandos? O Fábio havia me dado até uma entrevista, que publiquei no blog na época. Diziam que já estava comprada e que já estava a caminho. Balela pura. A história virou outra depois e pronto. Qual a posição da Associação naquela época?
Recebi a informação de que o atual regulamento carrega mais duas falhas, brechas de interpretação, além desta do pescoço de válvula. Depois do evento do pescoço fico imaginando que maravilha, que pérola que não deve ser. Provavelmente alguma bomba para desmoralizar mais a imagem da categoria.
Precisa-se investir na base, no regulamento. Investir em consultoria jurídica que cerque bem as possíveis espertezas, e consultoria de preparação que não tenha interesse próprio envolvido.
Sobre a saida do José Santiago, lamento pelo seu abandono da pista, mas sinto um alívio do incômodo que eu sentia em ver um membro da associação divulgando seu próprio negócio, que é produto concorrente da categoria, como sendo mais barato correr nos EUA do que correr no Marcas SP. Isto sempre me incomodou, confesso. Isto foi divulgado no programa Curva do S. Eu até arrepiei na época. Nada contra a pessoa do Santiago, mas isto sempre me chateava.
Sobre o Fabiano participar da associação, é um cara que pode contribuir muito com seu conhecimento e experiência, mas como qualquer preparador que participe da associação de pilotos, haverá alguns momentos em que os interesses poderão ser conflitantes. Piloto é piloto, preparador é preparador, clube é clube e federação é federação.
Patrocínio:
Este ponto eu já destaquei bastante no blog e acho que vc deve saber bem meu ponto de vista. Não é fácil de solução, mas precisa ser trabalhado. Precisamos de um bom vendedor.
Sobre a torcida ao mala, você deve ter entendido bem a forma que usei ao dizer: liberdade de tratamento com quem, normalmente, não se concorda, mas se respeita.
Grande abraço e boa sorte na pista e na associação.
ps, não tive tempo de revisar o texto. Aliás, tempo ultimamente aqui tem sido artigo muito raro.
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(outra resposta)
Douglas,
Hoje eu vejo interesses bem mais distintos entre pilotos e equipes do que eu via há algum tempo atras. Em determinados momentos os interesses das entidades, pilotos, equipes, clubes e federação podem ser comuns. Em alguns momento os interesses das equipes podem não ser os mesmos dos pilotos. Até os interesses dos pilotos que participam da associação precisam ser separados dos interesses da associação, que representa o interesse de todos. Isto não é fácil e conheço muito bem, pois passei por estas dificuldades quando ocupei o cargo que você ocupa hoje.
Sobre preparadores na associação de pilotos, veja bem: o Fábio, pelo que consta, era um dos pilotos que utilizava o recurso do pescoço de válvula. Se ele é da associação, ele deve ter contribuído para a elaboração do regulamento. Se na época ele não observou isto, como representante do interesse de todos, seria ético que se manifestasse publicamente sobre a questão, representando a associação, e não se aproveitar de um "erro" ou esperteza em proveito próprio.
Esta confusão de interesses é um exemplo do que acontece e do que sempre acontecerá com preparadores na associação.
Sobre as outras duas falha no regulamento que eu lhe disse, já que o Fabiano pertence à associação, pergunte para ele. Ele sabe, mas não acredito que vá falar. Tem o interesse dele à frente. Tomara que sejam furos bem furados, que não gerem polêmicas sobre a interpretação que teve o tal pescoço.
Sobre o destaque quando você vencer na geral, deixa comigo. Farei com muito gosto.
Grande abraço.
Roscoe não esqueça de responder uma Pesquisa que criei para entendermos um pouco mais os motivos que levaram alguns Pilotos a pararem de correr ou fazer apenas algumas provas.
ResponderExcluirÉ importante sabermos os motivos individuais de cada piloto para que possamos, em conjunto com os outros Pilotos e Equipes, tomar atitudes o mais eficazes.
Abraços
Douglas #50
OLÁ A TODOS.
ResponderExcluirEU NÃO VI ESTA PESQUISA, ONDE FOI REALIZADA?
A RESPOSTA É LÓGICA, PELO MENOS DÁ MINHA PARTE " DIVIDIR OS CUSTOS".
EMBORA O MEU PARCEIRO SEJA UMA ÓTIMA PESSOA, E UM ÓTIMO PILOTO E A EXPERIÊNCIA ESTEJA ME AGRADANDO MUITO, POIS ESTOU APRENDENDO MUITAS COISAS "QUEM NÃO GOSTA DE ANDAR AS DUAS BATERIAS?"
RODRIGO # 55.
Moreno,
Excluircriamos uma Pesquisa para os Pilotos que NÃO ESTÃO correndo atualmente e participaram das ultimas 3 temporadas.
Por esse motivo que você não recebeu.
Abraços