"Claudio,
Em princípio não vejo qualquer problema em transformar Interlagos em uma arena multi-uso. Só penso que as atividades não relacionadas ao automobilismo devem, necessariamente, subsidiar o esporte a motor, ou seja, deve-se empreeender os maiores esforços, recursos e subsídios para o automobilismo, e todas as outras atividades ali realizadas devem servir unicamente como fonte de recursos para o desenvolvimento do autódromo e do automobilismo.
Acredito, inclusive, que este deva ser um modelo a ser adotado por todos os autódromos do país como forma de manter e desenvolver as arenas automobilísticas. Afinal, é muito difícil manter um empreeendimento do porte de um autódromo apenas com os recursos advindos das poucas competições que se realiza no Brasil."
Fui responder ao comentário acima, feito no post de título "POLITICANDO O AUTOMOBILISMO", mas a resposta não foi aceita pelo blogger por ter mais de quatro mil e não sei quantos caracteres.
Na preguiça de cortar sem perder conteúdo, ou de dividir o comentário em partes, publico-a abaixo:
Concordo plenamente que um bem público, como o autódromo de interlagos, deva ser explorado comercialmente em datas ociosas. Concordo mais ainda em ter o resultado da exploração comercial, ou parte dele, revertido ao incremento do objetivo fim do espaço, que no caso do autódromo é o automobilismo. As inscrições poderiam ser subsidiadas, o combustível poderia ser subsidiado, os valores pagos `as empresas de socorro e resgate poderiam ser subsidiados, tudo pela exploração comercial do autódromo. Se não isto, a divulgação poderia ser subsidiada para a atração de público. Já pensou chamadas na Globo para o campeonato paulista? Isto não seria queimar dinheiro do município não, seria investir pensando numa maior receita que será gerada para ele amanhã. Estamos tão acostumados em raciocinar com a miopia esquerdista que achamos que mesmo pagando o absurdo que pagamos estamos dando prejuízo ao município ao utilizarmos o seu autódromo. Interlagos e o automobilismo deu e ainda dá lucro ao município. Além disto, Interlagos pertence `a história do automobilismo. Em contabilidade, existe aí um valor a ser creditado no ativo como bem intangível, e de imenso valor, muito além de seu valor imobiliário. O automobilismo e o autódromo de interlagos são atrações, que além de atender entusiastas do esporte, gera receita ao município pelo turismo e pelos negócios que ele envolve e que o cercam. Investir em fomento ao automobilismo não é despesa, é investimento que gerará lucro ao município, tão proporcional ao que for investido. Ter um autódromo como Interlagos e abdicar de automobilismo para alugar a pista para teste drive, por exemplo, é pensar no caixa de hoje somente, esquecendo-se o universo de negócios que o automobilismo envolve e esquecendo-se até do melhor caixa que o município poderá ter amanhã. A Fórmula 1, mesmo com todos os custos de manutenção do autódromo exigidos ao município, é um grande negócio para os cofres da cidade.
Como disse anteriormente, concordo com o formato de exploração comercial e o concomitante fomento ao automobilismo. Só que sabemos muito bem que não é bem assim que as coisas acontecem ali. O automobilismo paulista já cansou de perder datas de suas etapas para o autódromo atender outros eventos, os que pagam mais. Teve ano em que perdemos datas já reservadas para um evento de teste drive da Audi, outro para uma etapa da GT. Eventos privados sempre tiveram preferência ao campeonato paulista. Corrida a pé então, que acontece no início de todo dezembro, tem jogado o paulista para competir quase na véspera do natal, isto quando não joga o automobilismo paulista para terminar o campeonato de um ano no ano seguinte. A prioridade nunca foi o automobilismo, isto está bem claro e definido pela SPTuris. O foco de sua administração é o melhor resultado no exercício fiscal, no máximo até o exercício da próxima eleição.
Este gerenciamento de resultado a curto prazo sempre prejudicou e continuará prejudicando o automobilismo, principalmente o regional paulista.
Etapas duplas em final de temporada, para cobrir a falta de disponibilidade de data, eu conheço desde minha estreia no Marcas SP, em 2008. Em 2011 nem data para final com dupla rodada teve, tivemos que fechar a temporada com rodada dupla no Paraná. 2012 acabou em 2013 por falta de data. Em 2013, finalmente, acabou no final de semana antes do natal, mas sem rodada dupla e dentro do mesmo ano, quase um milagre. O fato do vereador abraçar a causa do paulista e incluir o campeonato no calendário oficial do município pareceu, em 2013, ter sido uma grande conquista que traria muitos benefícios. Em 2014, por enquanto, temos somente 5 datas oficializadas.
O apoio do vereador Pesaro, do vereador Mário Covas e de mais alguns será sempre positivo, mas quem manda na SPTuris é o PT, é a turma do outro lado do Pesaro.
No mundo onde caras campanhas publicitárias, aquelas que numa escala de valor crescente elegem de postes `as Dilmas, o dedo no caixa do autódromo será sempre pensando na próxima eleição, para que outro dedo não venha fazer o mesmo no mandato seguinte.
A SPTurismo, que administra o autódromo e o anhembi, é uma empresa de capital aberto cujo capital majoritário é da prefeitura. Se a SPTuris é empresa de capital misto e aberto, ela naturalmente foi idealizada para gerar lucro.
Para que uma parte da exploração comercial do espaço se convertesse em benefício ao esporte, seria preciso um "adendo" no "regulamento" do município, uma lei específica precisaria ser criada, aprovada pelos vereadores e sancionada pelo prefeito. Simples assim: metade do resultado apurado (lucro) que o autódromo gerar `a prefeitura, através da SPTurismo, durante um ano, deverá ser aplicado em fomento ao automobilismo no ano seguinte ao de sua apuração.
Seria uma boa causa de batalha junto aos políticos que se manifestam em apoio ao automobilismo e ao autódromo. Uma batalha que poderia mudar bastante a maneira de pensar e fazer automobilismo.
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